◆ Capítulo 02
Origem mítica
Existem várias versões sobre a criação do Véu. Nenhuma delas é totalmente confirmada. Essa incerteza é útil para o Mestre do Jogo, porque permite que campanhas diferentes escolham a verdade que melhor combina com seu tom.
Versão 1 — O Acordo do Olimpo: após séculos de interferência direta dos deuses no mundo mortal, o Olimpo percebeu que a humanidade estava se tornando perigosa demais. Mortais começaram a registrar milagres, organizar caçadas contra semideuses, profanar templos e tentar capturar criaturas míticas.
Zeus convocou os deuses e decretou uma nova lei: os deuses continuariam influenciando o mundo, mas não poderiam mais se revelar livremente. Hermes foi escolhido para costurar essa lei entre os mundos, pois era o único capaz de circular entre Olimpo, mundo mortal, Submundo e Encruzilhadas sem romper as fronteiras.
Versão 2 — A Traição de Hermes: nesta versão, o Véu não foi criado por ordem de Zeus. Hermes viu que os deuses usavam mortais e semideuses como peças descartáveis. Viu cidades destruídas, linhagens apagadas e filhos divinos sacrificados em jogos políticos.
Então roubou fragmentos de autoridade de cada domínio: um raio de Zeus, uma sombra de Hades, uma gota do mar de Poseidon, uma faísca da forja de Hefesto, uma mentira de Afrodite, uma profecia incompleta de Apolo, um silêncio de Ártemis, um grito de Ares, um plano de Atena, um riso de Dionísio e uma chave de Hécate.
Com isso, costurou uma barreira entre o mundo mortal e o mundo divino. Não para proteger os deuses. Para proteger os mortais deles. Nessa versão, o Véu é uma traição antiga, e talvez Zeus ainda esteja tentando descobrir como desfazê-lo.
Versão 3 — O Último Presente aos Mortais: depois de uma catástrofe em que deuses, monstros e semideuses foram vistos por milhares de mortais ao mesmo tempo, o resultado foi guerra, loucura, culto, perseguição e colapso. Héstia implorou por uma solução. Hermes respondeu. Ele não apagou a verdade. Apenas tornou a verdade suportável demais para ser reconhecida.